[Este
artigo faz número dois de um series de artigos sobre petróleo no Brasil. Veja a primeira que trata de conceitos básicos sobre petróleo.]
Antes de considerar
como o petróleo pode financiar os gastos públicos, é aconselhável (e divertido) pensar no setor
de petróleo no Brasil em si. Petróleo
possibilita a vida moderna. O transporte
de milhões de pessoas e toneladas de carga cada ano depende na gasolina,
diesel, jetfuel e óleo combustível. Até
o asfalto das estradas, e muito mais, vêm de petróleo. Claro, receitas da exploração do petróleo
pode ser uma boa fonte para o orçamento público. Porém, focar nele só para esse objetivo é
perder uma perspectiva holística de como é possível, no primeiro lugar, que o
setor cria riqueza. Neste artigo, a
gente olha ao setor de petróleo no Brasil.
Mas tenho que confessar que não consegui colocar tudo em um artigo
só. Por isso, peço desculpas enquanto eu
divido o assunto de novo. Os artigos
sobre o setor de petróleo tratam de consumo, reservas, produção, e refino de
petróleo. Se você ler todo os artigos,
você ficará com uma fundação de conhecimento sobre petróleo brasileiro e o papel dele
no mercado internacional. Mais do que
isso, você vai entender melhor as notícias sobre o desenvolvimento do setor e mais
para frente, os discussões sobre os Royalties vão ter mais significado para
você.
Consumo de Petróleo no Brasil e no Mundo
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| Fig 1: Consumo de Petróleo no Brasil, 2004 - 2013 |
E até onde é que a demanda vai crescer nos próximos anos? O gráfico encima mostra o caminho do consumo de 2004
até 2013, e também coloca as taxas anuais de crescimento. Através dos últimos 10 anos, a taxa tem sido
entre 2% e 8% por ano. Em média, a taxa de crescimento do consumo de petróleo
tem sido por volta de 4%. Se a gente use
uma taxa de crescimento por aí (talvez 3,5%), o consumo de petróleo vai chegar
daqui 10 anos na casa de 4.250 mil barris por dia[6] [7].
O crescimento de consumo do petróleo no
Brasil tem sido bastante, mas se você quer se assustar de verdade, é só olhar o
consumo fora do Brasil. O gráfico compara
Brasil com os outros países grandes no mundo.
O resto da América Central e Sul consumiu 3.675 em 2013. A Europa e ex-União Soviética se abasteceu
com 18.500 mil barris por dia. África
consumiu 3.500. A Oriente-Média tirou 8.500
mil barris por dia. America do Norte usou
23.000 (eles se banham no petróleo lá) e a Ásia contou 30.000. Soma tudo e você fica com 91.300 como o
consumo mundial do petróleo em 2013.
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| Fig 2: Consumo Mundial do Petróleo |
Eu levo duas coisas desses números.
Primeiro, Brasil consome 45%, quase uma metade, do petróleo que é
consumido na América Sul & Central[8]. Mesmo
assim, esse 3.000 do Brasil significa que a demanda do petróleo no Brasil é só
uma fatia pequena do gigantesco quadro mundial, que é 91.000 mil barris por dia.
Os Produtos de Petróleo
Quando as pessoas pensam no petróleo, frequentemente eles pensam na
gasolina automóvel. Mas petróleo bruto
é processado para fazer uma variedade de produtos. As agências estatísticas dividam esses
produtos em dois classes: produtos energéticas e produtos não energéticas. Você provavelmente está pensando que os
produtos energéticos são coisas que podem ser usadas como uma combustível, e
você teria razão (muito bom). Esse
classe inclui gasolina automóvel (gasolina A), Diesel, Gás de Liquido Petróleo
(GLP), Combustível para Aviões (QAV), e óleo combustível que é muito pesado e frequentemente usado pelo combustível de navios. Os produtos não energéticos inclui asfalto, Óleo lubrificante, parafina, solventes, e
outros produtos.
Este
gráfico mostra as participações desses produtos no processamento de petróleo
nas refinarias brasileiras[9]. A painel da esquerda comunica que através do
tempo, a produção das “não energéticas” tem crescida pouco. Os números exatos são de 261 até 295 mil
barris por dia (em torno de 13-15% do processamento brasileira). O resto é dos energéticos, e a painel da
direita mostra as participações deles em 2013.
Diesel foi o produto mais fabricado em 2013. Do petróleo total que foi processado no país
em 2013, 39% dele foi usado para fabricar diesel. 23% do petróleo processado foi uso para fazer
gasolina automóvel , e 12% foi uso para fazer óleo combustível. Gás Liquido Petróleo (GLP) foi de 8% em 2013.
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| Processamento de Petróleo em Refinarias Brasileiras, por Classe de Produto |
Nos últimos anos (i.e. 2009 para cá), houve um crescimento expressivo na
produção de produtos energéticos. Embora
o gráfico não mostra, essa tendência é o resultado do crescimento da produção
de gasolina automóvel e diesel. De 2009
até 2013, gasolina automóvel foi de 360 até 465 mil barris por dia, e diesel
foi de 740 até 850 mil barris por dia.
Parte disso tem a ver com o crescimento forte da economia em 2010, mas é
provável que também deve muito ao crise no setor de etanol. Etanol é um substituto (parcial ou total)
para gasolina automóvel e diesel, que juntos, compõem mais do que 60% do
petróleo usado no Brasil. Se tiver
problemas em um setor e o preço aumenta, o outro setor vai assumir uma parcela
da participação no mercado.
Neste artigo, a gente estabeleceu um ponto de referência pelo setor petróleo
brasileiro, e esse ponto é o consumo do mercado. Os próximos artigos vão dar uma olhada nas
outras partes do setor petrolífero – nas reservas, e na produção e refino do petróleo no
Brasil.
[1] ANP - Anuário Estatístico
Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2014
[2] Cada barril é 42 galões, ou
quase 159 litros.
[3] Como a gente está usando “mil barris por dia,” os
mais espertos vão reconhecer que, de fato, 3.000 mil = três milhões barris por
dia.
[4] 3.000 mil barris (consumido hoje no Brasil, sua
ponta de referência) – 2.000 (a consumo em 2004)
[5] [(3000 – 2000)/2000 ]*100 = 50%
[6] Calculado com uma taxa de
crescimento continuo: 3000*EXP(0.035*10) = 4.257.
[7] Descobri que a ANP usa
números da empresa BP para fazer comparações internacionais, e seus próprios
estatísticas para calcular estatísticas brasileiras. E eles podem ser muito diferente. Por exemplo, se você usa as estatísticas de
ANP-interno do brasil, o consumo do petróleo (energético e não-energéticos) foi
de 1700 mil barris por dia em 2004 até 2400 mil barris por dia em 2013. E a expectativa é que vai chegar em 3200 mil
barris por dia em 2023. Ou seja, os
números internacionais sobre-estimam os números de ANP entre 500 e 1000 mil
barris (i.e. algo como 30%). As
expectativas do consumo no futuro vem da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que publica um relatório que se chama o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE). Este ano, o PDE 2023 já saiu para consulta
pública. Nesse relatório, o governo está
esperando o Brasil usar 3.200 mil barris de petróleo por dia em 2023. No PDE 2022, a expectativa é de 3.300 mil
barris por dia em 2022. O relatório PDE 2023, em tabela 42 (p67), diz que
consumo de petróleo (por energia e não-energia) em 2023 é de 162.779 tep
(toneladas de petróleo equivalente) por ano.
EPE usa o fator de conversão de 1 tep ano = 7,2 bep ano. Dividir isso por 365 para chegar ao mil
barris por dia. Por exemplo, 162.779/(7.2*365)
= 3.200 mil barris por dia.
[8] Isso é acreditável porque dos 465 milhões de
pessoas naqueles países (não inclui Mexico), 200 milhões (ou 43%) são Brasileiros.
[9] Vamos olhar nas participações
das refinarias e não no consumo final pois daí a gente tem que levar em conta
importação e exportação. Os dados das
refinarias da um olhar suficiente para entender as participações dos produtos.



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